A pergunta que me faço hoje é a seguinte: será que a liberdade financeira traz felicidade? Ou não? Será que há alguma relação entre esses dois temas?
Sempre ouvi a frase de que “dinheiro não traz felicidade” e que a real felicidade está na comunidade (aceitação, cuidados, amigos, parentes…), mas, ao mesmo tempo, o que mais busquei na minha vida foi ter estabilidade financeira — e os amigos, a comunidade, foram sendo agregados no caminho.
Não que eu não os tenha e os cultive, mas eles sempre se encaixavam entre viagens e compromissos de trabalho. A preferência sempre era o trabalho, assim como imagino que seja o caso da maioria de nós.
Até que, um certo dia, o trabalho corporativo acabou, comecei a empreender e investir, mudei de país — e, de uma forma ou de outra, tinha garantido a famosa liberdade financeira. Não precisava mais trabalhar para os outros para me sustentar. Tinha a liberdade de enveredar por outros caminhos. De testar, aprender, escolher.
Isso é o que considero liberdade financeira.
E com isso vieram as enormes dúvidas sobre o futuro. Você ter que escolher tudo o que fará para frente, estar no leme de um barco sem um GPS preciso para te indicar o caminho, é um desafio enorme que todo empreendedor está acostumado — mas eu não.
Foram mais de 20 anos em grandes instituições bancárias, nas quais, à medida que eu ia subindo, dava mais pitacos nessas direções. Mas sempre amparado por grandes estruturas, pares e superiores que iam moldando esse caminho.
E aí vem a pergunta: quando eu fui/era mais feliz? Quando tinha muitos desafios financeiros e tinha que pular de um emprego para outro, ou quando resolvi empreender após garantir essa tão almejada liberdade financeira?
A essa altura do texto, minha resposta direta é: não sei.
Muita coisa mudou em mim — e no mundo. Hoje tenho um enorme conhecimento em blockchain e cripto que dificilmente teria se tivesse seguido a vida corporativa. Contatos e amigos criados nos últimos anos que também seriam diferentes. Provavelmente estaria morando em São Paulo, ou numa grande cidade. Meus filhos não teriam tido a experiência de mudar de país, de fazer novos amigos, de interagir com novas culturas. Teriam um infância e adolescência muito diferente. Tudo isso torna a comparação muito difícil.
Esse e se... acaba sendo irreal de ser comparado.
Posso fazer paralelos com amigos e companheiros de trabalho que continuaram na mesma toada em que eu estava há 10 anos... pois é, 10 anos já!
Esses amigos continuam trabalhando em banco, com horários mais ou menos definidos e subiram a cargos bem importantes — muitos deles hoje têm muito mais sucesso (se medido em termos financeiros) do que eu. Afinal de contas, ficaram 10 anos ganhando com sua “prestação de serviço”, coisa que eu não consegui compensar com minhas estratégias de empreendedorismo.
O curioso é que, quando converso com eles, me parece existir aquele sentimento de quase inveja branca. Algo como se eles estivessem dizendo: “adoraria ter a sua vida, ter tomado a decisão que você tomou, mas por A, B ou C não o fiz”.
A grama do vizinho é sempre mais verde! 😉
Do meu lado, não há arrependimento nenhum sobre as decisões tomadas. Mesmo porque tenho a tranquilidade de que todas as minhas decisões foram as melhores, baseadas nas informações que eu tinha na época. E diria que hoje, olhando para trás, foi mesmo o correto.
Mas voltando ao ponto — antes que eu me perca aqui…
Estou mais feliz hoje?
Essa liberdade que tenho de fazer o que quero, na hora que quero, com quem eu quero, é o que me move e deixa feliz?
Bem (e se já começo com “bem”, é que não é bem assim… kkk), de forma alguma posso dizer que hoje tenho uma vida triste. Longe disso. Mas alguns pontos me incomodam e que preciso trabalhar constantemente.
Eu diria que o primeiro é o caminho que trilhei nos últimos 10 anos e a necessidade de estar sempre atualizado. Como muitos sabem, fui para o caminho de entender como a tecnologia irá impactar nossa vida financeira. E hoje tenho um conhecimento amplo — não só sobre como o mercado financeiro funciona, adquirido nos meus mais de 20 anos de vida corporativa, mas também uma bagagem enorme sobre como blockchain e cripto estão moldando isso para o futuro.
(Aos interessados nisso, a melhor referência é meu livro.)
Assim como no mercado de câmbio — que foi a base da minha formação corporativa —, o universo de blockchain e cripto exige dedicação constante para não ficar para trás. Saí de acompanhar métricas econômicas (juros, inflação, comércio exterior, fluxo de investimentos…) para mergulhar em protocolos, iniciativas, TVL, e por aí vai. Sempre tem novidade, sempre tem algo a aprender. Talvez esteja aí a grande razão do meu interesse nesse tema.
Outro ponto importante são as mídias sociais, que se tornaram essenciais para comunicar o que faço — e, muitas vezes, para tornar vendável o que faço. Elas aproximam, criam pontes, mas também exigem presença constante: criação de conteúdo, notícias, interações, e por aí vai.
Isso, claro, cansa. E nesse início de 2026, resolvi dar uma boa desacelerada. A melhor decisão até agora foi tirar todas as notificações do celular. Agora, só vejo quando eu quero ver.
Se por um lado isso incomoda, por outro também é uma grande fonte de alegria. Me conecta com pessoas e amigos que estão a milhares de quilômetros. Traz, sim, felicidade — especialmente quando sou eu quem controla a dose! 😉
Outro ponto em relação a essa liberdade tem a ver com ter quase que o tempo todo que ficar planejando, organizando coisas. Muitas vezes tenho saudades de quando tudo já aparecia planejado — e eu só tinha que me encaixar.
Esses dias fiquei inclusive pensando sobre isso, ao lembrar do trekking que fiz para o acampamento base do Everest em 2025. Uma das minhas conclusões é que gostei tanto porque, durante aqueles 12 dias, já estava tudo planejado. Eu só tinha que executar, sem discutir muito, com pouca margem de manobra para alterar algo. Isso era ótimo. Quase como quando eu trabalhava num ambiente corporativo… Estava com amigos, todos alinhados com o mesmo objetivo e indo juntos. Eu não tinha que me preocupar com o caminho, o objetivo, a motivação... já estava tudo lá!
E talvez, no cerne disso, esteja um dos pontos em relação à felicidade: estar entre amigos, mas também ter um rumo, uma direção a seguir.
Essa direção, para mim, nos últimos anos, não foi tão clara. E, de tempos em tempos, penso que há necessidade de mudá-la. E quando digo mudar, não é um passo para cá ou para lá... é mudar mesmo. Tipo virar agricultor, ir criar galinhas, gerenciar uma pousada… algo do tipo. Algo presencial e nada digital. Bem diferente do que faço hoje. E diria — bem romanceado também.
O que me garante que vou gostar de fazer isso daqui a 5 anos?
Indo mais profundo, talvez o ponto seja essa necessidade de sempre olhar à frente. Planejar o futuro e ir tickando ele. Ter um propósito? Fazendo com que o estado de felicidade esteja nas lembranças do passado e na expectativa de experiências futuras.
E onde fica o Carpe Diem aqui?
Pois é…
Paro por aqui — ao menos com uma conclusão clara:
Planejar o futuro e ter objetivos, ao menos para mim, é um fator de tranquilidade e felicidade.
E quanto à resposta direta para a pergunta que me fiz no início do texto, eu diria que:
Liberdade financeira é algo que sempre almejamos — e é bom que seja assim —, mas ela não é um fim por si só.
E tanto o caminho para obtê-la quanto o que fazer após atingi-la precisam ser pensados.
Concorda? Qual a sua experiência sobre isso?
Abraços,
Gustavo Cunha
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Ou mesmo nos acomodar com o imprevisível ou a busca por ele, quem sabe?
É Gustavo nossa eterna busca por significado, satisfação talvez seja sempre estar preparado pra mudança, apesar de ter tudo planejado que pode nos acomodar.