Não sei se esse incômodo é só meu, mas me parece que não. O crescimento explosivo, acelerado e — eu diria — já fora do nosso controle da inteligência artificial começou a me incomodar.
E não incomodar porque eu ache que seja algo ruim. Pelo contrário. Incomoda porque começou a chacoalhar alguns dos principais alicerces sobre os quais organizei minha vida: da gestão de dinheiro até o tipo de orientação que devo dar aos meus filhos para o futuro.
É sobre isso a reflexão que segue. Vem comigo.
Vamos primeiro aos fatos. Desde o lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022 (acredita? pouco mais de três anos atrás), as mudanças começaram a acontecer em um ritmo que, ao menos para mim, parecia impossível.
Só nas últimas duas semanas, por exemplo, testei bastante o Claude Code e, com a pouca fluência que tenho em programação, consegui não apenas puxar dados de forma organizada sobre praticamente qualquer coisa que quisesse, mas também criar um bot para execução de trades na Polymarket. Coisas que, até muito pouco tempo atrás, me pareciam completamente fora de alcance — e certamente não algo que se faria em poucos dias.
A revolução dos agentes de AI vai exatamente nessa direção. Já existem agentes operacionais capazes de sugerir e executar ações como se fossem “nós”: responder e-mails, comentar em grupos de WhatsApp, interagir em plataformas. E, em um nível mais perturbador, agentes que “contratam” humanos para resolver captchas e seguir navegando em sites que, ao menos na teoria, deveriam ser acessíveis apenas a pessoas reais.
É dentro desse contexto que um dos meus grandes alicerces começa a tremer.
Se estamos realmente caminhando para um mundo de plena abundância, o que nós, humanos, teremos para oferecer em troca da segurança futura? Será que não teremos nada? Ou — ainda mais disruptivo — será que não precisaremos mais oferecer nada em troca?
A sociedade em que vivemos foi construída sobre o conceito de troca.
Eu te dou dinheiro, você me vende um iPhone.
Eu ofereço meu trabalho, você me paga por ele.
Eu te ajudo com questões psicológicas, você me remunera.
E assim por diante.
Mas em uma sociedade de abundância plena, essa relação fica manca. Se não preciso de mais nada, se tudo está disponível, o mecanismo fundamental que organiza a sociedade deixa de fazer sentido.
E aí entram questões ainda mais profundas: ativos, poupança, sucessão. O que terá valor?
Se não temos mais nada a oferecer como humanos — e não precisamos mais “comprar” nada — como as pessoas se diferenciarão? Como os ricos passarão suas fortunas adiante?
Aliás, o próprio conceito de fortuna não fica sob judice nesse cenário?
Será terra o ativo mais valioso? Um lugar físico para estar? Afinal, isso continua finito — ao menos neste planeta.
Energia e capacidade computacional parecem perder relevância, não? Uma AI suficientemente avançada tende a descobrir formas mais eficientes de geração de energia e expansão computacional, tornando esses recursos abundantes também.
O ouro pode até continuar finito, mas perde relevância à medida que a sociedade baseada em troca deixa de fazer sentido.
Bitcoin segue não abundante — mas será usado para quê?
Dólar, euro, real… todos perdem função e relevância.
É um cenário quase de ficção científica. Ou talvez não tão ficção assim.
Tenho visto muita gente referenciar os livros de Iain M. Banks nesse contexto. Inclusive, boa parte das ideias que o Elon Musk costuma discutir sobre um futuro pós-escassez dizem ser fortemente inspiradas no conceito da Culture Series. Já comprei um livro, mas ainda não comecei a leitura, então não consigo afirmar nada com propriedade. Se alguém aqui domina esses conceitos, será muito bem-vindo para ajudar a aprofundar essa reflexão.
O fato é que estamos falando de mudanças muito maiores do que, ao menos eu, consigo digerir completamente. Mudanças profundas, acontecendo em velocidades que acredito que poucos humanos conseguem acompanhar. E olha que me considero privilegiado nesse aspecto: acompanho essas transformações de perto e gasto um bom tempo lendo, refletindo e escrevendo sobre elas.
Mesmo assim, quanto mais observo, mais perguntas surgem — e menos respostas aparecem. O que me assusta é que essas perguntas vão ficando cada vez mais profundas, mais disruptivas, mais existenciais.
Algumas delas:
Em uma mudança de sociedade tão drástica, onde a troca deixa de ser relevante, o que terá valor?
Se não trabalhamos para ganhar dinheiro, se não “crescemos” economicamente, o que nos moverá? O que faremos em uma sociedade de abundância plena?O que diferenciará as pessoas?
Não acredito em sociedades totalmente igualitárias e comunitárias. O ethos humano é competição e diferenciação. Quem estará no comando? Quem definirá as regras?Como funcionará a passagem de ativos, fortunas e riqueza entre gerações?
Isso continuará relevante? O que, afinal, posso deixar para meus filhos?E a transição?
Me parece uma mudança radical demais para acontecer de forma linear — e certamente não será homogênea no mundo todo.
Como sempre, adoro quando termino uma reflexão com mais perguntas do que respostas. E essa é uma dessas.
Me diga o que você acha desses pontos e vamos desenvolver esse raciocínio juntos.
Só não vale mandar seu agente comentar. 🙏
Abraços,
Gustavo Cunha
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Muito boa essa sua fase filosófica! 💙
Penso, pelo menos por ora, que o grande diferencial do ser humano perante toda a existência é a intuição que nos coloca no lugar certo e na hora certa nessa transição incrível que estamos e que será exponencialmente maior com os super computadores. O outro diferencial é a capacidade artística, que deverá ocupar um destaque relevante em nossas atividades.