⏳ Tic, tac, TradFi
A liquidez está migrando para infraestruturas crypto — e os perpétuos podem ser o gatilho dessa transição
Em 2021, escrevi no artigo “O futuro das criptomoedas é perpétuo” que os perpétuos eram menos uma inovação financeira isolada e mais uma reconfiguração da forma como o mercado lida com tempo, liquidez e risco. A ausência de vencimento não é um detalhe técnico, é uma quebra de paradigma.
Ter um contrato futuro sem vencimento parece uma bizarrice de crypto, mas foi a forma como esse mercado encontrou para lidar com dinâmica, velocidade e eficiência de capital. E funciona muito bem, ainda mais considerando que é testado 24/7, 365 dias por ano.
O mecanismo de funding fee, que ajusta a diferença entre o preço do perpétuo e o do ativo base, funciona de forma eficiente. Mesmo em momentos de estresse, os descolamentos tendem a ser curtos, inclusive em ativos com menor liquidez. Ao mesmo tempo, permite gestão de alavancagem, margens e automação de forma muito mais fluida.
O ponto é simples: funciona. A própria proliferação dos perpétuos em crypto já demonstra isso.
Mas o que importa aqui é outro movimento. Nessa junção entre TradFi e crypto rumo à nova infraestrutura do mercado financeiro, o pêndulo começa a se deslocar para o lado cripto. E a Hyperliquid é hoje o melhor exemplo disso.
Nas últimas semanas, um dos ativos com maior aumento de negociação no mundo foi o petróleo. Historicamente, seu preço e liquidez sempre foram definidos por contratos em TradFi, mais especificamente pelos futuros da CME (CL...). Mas isso começou a mudar.
Com a listagem do perpétuo de petróleo na Hyperliquid, uma blockchain focada em derivativos com uma DEX como principal aplicação, a dinâmica mudou. Hoje, a maior liquidez de petróleo está lá, e não mais na CME.
As razões para isso são mercado aberto 24/7, automação, alavancagem e gestão de risco mais eficiente. Existem outros fatores, mas esses já seriam suficientes.
Adicionando mais tempero nisso, recentemente, a S&P licenciou sua marca para uso dentro da Hyperliquid via Tradexyz, um movimento que vai na direção de validar essa nova infraestrutura. Futuros de S&P já têm relevância ali dentro. É questão de tempo para ver quando passam, em liquidez e volume, os de TradFi. Tic, tac, tic, tac.
Ao mesmo tempo, TradFi se move. A CME deve vir com perpétuos, ou contratos similares, em breve, além correr para ter um ambiente de negociação mais contínuo, incluindo 24/7 para crypto. Ou seja, corre para ter o que crypto já tem.
Outras bolsas do mundo, incluindo a B3, tambem tem várias iniciativas na mesma direção. Se tornar 24/7, 365 dias por ano para negociação de tudo (ativos spot como acoes, dólar, etc) e tambem para ter em suas estruturas derivativos similares aos perpétuos.
O que vejo hoje não é somente inovação, mas uma corrida.
Infraestruturas cripto tentando capturar ativos tradicionais, enquanto infraestruturas tradicionais tentam incorporar as inovações antes que a perda de relevância se acelere. O problema é que essas duas velocidades não são equivalentes.
TradFi evolui com cautela, coordenação e restrição. Carrega custos regulatórios, políticos e tecnológicos elevados. E, principalmente, carrega sistemas legados. Migrar é difícil. Atualizar é lento.
Crypto evolui sob pressão competitiva. Testa em produção, ajusta rápido e opera em tempo real.
Open source e colaborativo versus estruturas fechadas. Agilidade versus morosidade.
Nesse contexto, o perpétuo deixa de ser apenas um produto melhor e passa a ser uma expressão de uma infraestrutura superior para determinados usos. Se a melhor execução estiver em infra cripto, o fluxo migra. Se TradFi conseguir incorporar isso rápido o suficiente, preserva parte desse fluxo. Se não, corre o risco de virar apenas back-end de um sistema que já não controla.
E como disse mais acima: o pendulo tá mais pro lado de crypto atualmente.
Olhando pelo lado das empresas, os incumbentes ainda (destaque para esse ainda) carregam valuations muito superiores, sustentados por confiança institucional, regulação e distribuição. Em outras palavras, controlam boa parte do dinheiro do mundo. A pergunta é até quando?
Por fim, hoje temos S&P atravessando para dentro de uma infraestrutura cripto, CME redesenhando seus produtos para se aproximar dos perpétuos, e Hyperliquid mostrando que ativos tradicionais podem viver fora de TradFi sem perda de funcionalidade.
Vejo isso como disputa clara por protagonistmo na nova infraestrutura mundial.
E tem outra, que é assunto para outro artigo, mas que já deixo aqui um teaser 😉. USDC e USDT sobre quem terá a melhor infra para o dinheiro nesse nova infra. USDC correndo mais rápido recentemente, mas USDT ainda tem uma certa liderança.
Concluindo com as perguntas para pensarmos juntos:
Onde negociaremos no futuro? Na infraestrutura cripto operada pelos players de TradFi de hoje ou na infraestrutura cripto operada pelos próprios players nativos de crypto? E, quando essa resposta ficar clara, os valuations ainda vão refletir o mundo antigo ou o novo?
A questão nunca foi se isso vai acontecer. É se você vai estar posicionado quando acontecer.
Abraços,
Gustavo Cunha
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