📊 Bitcoin, Ethereum e ações: a comparação que custa caro ao investidor
Embora alguns tokens já se pareçam com ações, a maioria não dá ao investidor qualquer participação direta no sucesso financeiro dos protocolos.
* Artigo publicado originalmente na minha coluna do Valor Investe em 11 de junho de 2026
Quem me acompanha sabe que volto e meia bato nessa tecla, mas como o assunto não para de pipocar nas conversas que tenho tido, lá vou eu de novo. Vem junto!
Uma das confusões mais comuns, tanto em quem está chegando agora quanto em gente experiente de tradfi, é tratar btc, eth, sol, etc como se fossem ação. Quando estamos em bull market isso até parece que acontece: se o protocolo cresce, fatura mais, ganha usuários, o token sobe e o ciclo se fecha. Mas, quando a euforia acaba e todos voltam a fazer contas, checar, etc (como é o momento atual), a verdade começa a aparecer e, na imensa maioria dos casos, não é bem assim.
Explico.
Boa parte dos tokens que circulam por aí são tokens de governança e nada mais. O que isso quer dizer? Que eles dão ao detentor o direito de votar nos rumos do protocolo, mas não carregam nenhum vínculo direto com o resultado financeiro dele. Não há “dividendo”, não há repasse de receita, não há aquela relação clássica que estamos acostumados a fazer quando compramos uma ação e esperamos participar do lucro da empresa. É um mecanismo de poder de decisão, não de participação no caixa.
A pessoa olha o crescimento estrondoso de uma rede e conclui, naturalmente, que o token vai acompanhar esse sucesso na mesma proporção. Só que o link que ela imagina existir, simplesmente não existe.
O exemplo mais didático, e doloroso para muitos, e aqui me incluo, talvez seja a própria Ethereum. Nos últimos anos, o sucesso da rede está sendo gigantesco. Volume, aplicações, desenvolvedores, tudo crescendo de forma impressionante. E isso se refletiu em “dividendos” para o detentor de ether (token da Ethereum) na proporção desse sucesso? Não. Sim, existe o staking de ether, que paga uma rentabilidade a quem ajuda a garantir a rede, mas a relação disso com o sucesso do protocolo eh mínima. O staking remunera a segurança da rede, não o quanto ela faturou ou cresceu. São coisas diferentes.
E tem um ponto que já levantei recentemente, num artigo onde discuto a Ethereum caminhando para virar um bem público. Quanto mais essencial a rede se torna, mais ela se parece com algo como a água, ou seja, essencial, que todo mundo precisa, mas que tem pouco valor. E isso, convenhamos, é o oposto da lógica de uma ação.
Tem a questão de que no futuro essa rede vai ter um valor e será bom ter o controle dela, poder votar e decidir o seu futuro. Sim, essa possibilidade existe, e até por isso não acredito que o token Eth valha zero. Mas, nesse sentido, seu modelo de precificação tem pouco a ver com o de ações. Como precificaríamos um token de governança do Brasil, ou dos USA? Quanto vale o poder de tomar algumas decisões sobre o TCP-IP da internet atual?
Bem, se a Ethereum já complica essa analogia com ações, o Bitcoin então...
A relação do token btc com o “sucesso do protocolo” é se não zero, muito próximo disso. O bitcoin não tem caixa, não tem receita, não distribui nada. O que ele tem é uma relação direta com o número de pessoas que acreditam nele. É construção social pura. O valor do bitcoin não vem de um balanço, vem de uma convenção coletiva sobre o que aquilo representa, da mesma forma que a confiança no dólar não vem de um lastro físico, mas da fé que depositamos no sistema por trás dele. Tentar montar um modelo de fluxo de caixa descontado para o bitcoin é não ter entendido o que ele é. E olha que isso não diminui o ativo em nada, apenas mostra que a régua que usamos para ações não serve aqui.
Então a cabeça de bolsa nunca funciona em cripto? Calma, não é isso.
Alguns modelos mais novos vêm aproximando, de verdade, o token do resultado do protocolo. O ponto de virada foi o movimento de “real yields”, que começou a ganhar tração com o sucesso da GMX, uma DEX de derivativos que passou a repassar parte concreta das taxas geradas pela plataforma aos detentores do seu token. Aquilo, pela primeira vez de forma clara para muita gente, fez o token se comportar como algo próximo de uma ação: protocolo fatura, detentor recebe um pedaço. Quando existe esse elo direto, aí sim começa a fazer sentido pensar com cabeça de bolsa.
E desde então esse modelo foi sendo lapidado. O exemplo mais lógico e mais maduro disso hoje é o Hype, da Hyperliquid. Ali a relação é direta e explícita: uma fatia relevante das taxas que o protocolo gera vai para recomprar o próprio token no mercado. Faturamento maior, mais recompra, pressão de demanda sobre o ativo. É quase a mecânica de uma empresa que usa o lucro para recomprar as próprias ações. Nesse caso, sim, analisar receita, margem e crescimento faz todo o sentido, porque há um cano ligando uma ponta à outra.
A grande sacada, e o motivo de eu insistir tanto nisso, é que não dá para jogar todos os tokens no mesmo balaio. Cada um tem um desenho econômico próprio, e o erro mais caro que vejo o investidor cometer é aplicar a lógica de ações onde ela não cabe, ou ignorá-la justamente onde ela passou a fazer sentido.
Antes de comprar qualquer token, a pergunta que eu faria é simples: o que exatamente esse token me dá? Governança? Renda? Recompra? Ou só a esperança de que alguém pague mais caro depois?
E você, já tinha parado para pensar em qual categoria estão os tokens que carrega na carteira? Tem algum aí que você comprou achando que era “ação” e que, no fundo, é só governança?
Abraços,
Gustavo Cunha
É nos reports da Fintrender que entramos com mais profundidade neste e em vários outros temas, sem hype e sem superficialidade.
Acesse os mais recentes aqui: Reports | Fintrender
✨ Exclusividade FinTrender ✨
🚀 Garanta sua Gota Exclusiva FinTrender, totalmente GRATUITA e celebre sua conexão especial com o universo FinTrender.
➡️ Acesse Gotas.social e use o código ETHBCTACOES para resgatar a sua.
💡 Não perca essa oportunidade no universo Web3, powered by Gotas! Seguimos em contato nos links abaixo:
FinTrender.com, YouTube, LinkedIn, Instagram, Twitter, Facebook e podcast FinTrender


