🎓 Estamos educando jovens para um mundo que já acabou?
A inteligência artificial já mudou o mercado de trabalho, mas escolas e universidades ainda resistem a mudar.
Em meus testes com o Claude nas ultimas semanas, uma coisa vive martelando na minha cabeça: como o ensino está sendo afetado por isso tudo que tenho visto. Bem, sendo um pai de uma universitária e de um estudante do ensino médio eu posso dizer por experiencia própria: Não estão sendo afetados, ou melhor, eles não estão se adaptando a nada disso que está vindo.
Meus dois filhos continuam a ser ensinados como eu fui. Aulas, provas, exames… tudo segue o mesmo formato. Se AI exite é mais como forma de testar, e porventura punir, os estudantes que “abusam” do ChatGPT para fazer os trabalhos de classe. E aqui estamos falando do GPT que é o mais popular e usado mundialmente.
Não preciso ir alem para dizer que minha visão sobre isso tudo é totalmente contrária a isso. Quando antes eles tiverem acesso a testar essas plataformas melhor.
Sempre fico na duvida quando pego casos anedóticos para generalizar, mas seja nesses dois casos acima, seja em toda a minha experiência em palestras e aulas nos últimos anos, o que vejo é exatamente o mesmo. As escolas, professores, e legisladores, pouco tem feito para acelerar a capacitacao dos alunos nesse tema.
Enquanto isso, as empresas estão adotando AI de forma massiva. Tanto é que recentemente o linkedin já começou a atestar e dar estrelinhas diferentes no perfil de profissionais com proficiência em AI. Isso não vem do nada. Que empresa hoje contrataria alguem que se dissesse contra o uso de AI? Obvio que para a empresa quanto mais proficiente nisso melhor, já que sua produtividade tb deve ser maior.
Esse movimento cria uma tensão inevitável. De um lado, empresas que demandam profissionais capazes de trabalhar em conjunto com sistemas inteligentes. De outro, instituições educacionais que continuam treinando alunos para um ambiente que está rapidamente desaparecendo.
Parte do problema está nos incentivos. Professores, em sua maioria, não tem tempo, recursos, estímulo institucional ou ate motivacao para se atualizarem. Muitos trabalham em jornadas extensas, com remuneração limitada e pouco apoio para formação continuada. E os que tem acabam buscando essa formação continuada nas mesmas plataformas desatualizadas.
Também há uma dimensão cultural. Em muitos ambientes educacionais, a inteligência artificial ainda é vista como ameaça ou atalho indevido. Ferramentas como assistentes de texto ou sistemas de pesquisa avançada são tratadas apenas como risco de “cola digital”, em vez de serem incorporadas como instrumentos de aprendizagem. O resultado é um paradoxo: alunos usam AI fora da escola para aprender e produzir mais, mas dentro da sala de aula precisam fingir que ela não existe. Sem noção, ne?
Claro que isso tem a ver com a regulamentação do ensino tambem, que não ajuda em nada. Escolas tem que cumprir um currículo mínimo obrigatório que já toma muito da grade curricular.
Essa negação tem prazo de validade. Ignorar a inteligência artificial no processo educacional não impede seu avanço, apenas amplia o descompasso entre formação e realidade.
Esses dias um amigo me disse que pediu ao Claude para ele estruturar um curso para ele aprender um tema especifico, sendo que ele tinha somente 1 hora por dia para se dedicar aos estudos e proveu o Claude com informacoes sobre formato e tempo que queria a proficiência naquele assunto. 3 prompts depois ele tinha um plano de estudos composto por fontes de estudos escritos, podcasts, youtubes, etc. O conteúdo de tudo o que queremos já esta online e majoritariamente grátis. É só organizar e foi o que o Claude fez. Agora te pergunto: para que a escola?
Talvez para dar a linha do que voce tem que saber de mínimo? Talvez para te ensinar a cumprir regras e viver em sociedade? Certamente não eh mais para te ensinar conteúdo e definir a forma como deve aprender. E o que vejo das instituições eh que muitas delas, para não dizer a imensa maioria, ainda está focanda nesses últimos dois pontos.
Bem, mas talvez a pergunta central seja como AI entra na educação. Em vez de proibir ferramentas, talvez o desafio seja ensinar os alunos a utilizá-las de forma crítica: formular boas perguntas, avaliar respostas, ter curiosidade para experimentar, combinar conhecimento humano com capacidades computacionais, entender os caminhos e probabilidades, etc. Em um mundo onde informação é abundante, o diferencial não é mais acesso e sim interpretação, contexto e julgamento.
Isso exige mudanças enormes nas grades curriculares que temos hoje: currículos mais flexíveis, avaliações que valorizem raciocínio em vez de repetição, professores apoiados por programas reais de capacitação tecnológica e não mais como fonte única de sabedoria do assunto…. E, sobretudo, uma visão de educação que prepare para um ambiente em constante transformação.
Quanto aos meus filhos, uma pergunta relevante seria porque não tirá-los então desse sistema? Bem, acho a parte humana dele bastante relevante, experiencia de escola/faculdade, amigos, etc.. são coisas que levamos para a vida. E quanto a AI, acredito que eu consiga trazer isso para eles, seja pelas nossas conversas, seja por eles lerem tb meus artigos, incluindo esse. 😉
A revolução da inteligência artificial já está em curso. O mercado de trabalho está se adaptando rapidamente. A questão é saber quanto tempo o sistema educacional ainda levará para reagir.
➡️ Professores estão sendo preparados para ensinar em um mundo com AI? Qual será o papel deles nesse mundo?
➡️ Alunos estão testando por si e aprendendo com essas plataformas? Dando aula para o sistema de ensino de como ser mais produtivos?
➡️ Escolas estão treinando alunos para usar essas ferramentas ou apenas tentando bloqueá-las?
➡️ Universidades estão formando profissionais para o futuro ou para um passado recente?
E, talvez a pergunta mais incômoda que todos associados a educação deveriam estar se fazendo agora: estamos educando jovens para o mundo que existe, ou para o mundo que já acabou?
Seguimos aprendendo e ensinando!
Abraços,
Gustavo Cunha
* Artigo publicado originalmente na minha coluna do Valor Investe em 12 de março de 2026
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