🇧🇷 O Brasil Começa a Construir a Próxima Infraestrutura do Dinheiro
Stablecoins em real deixam de ser apenas um produto cripto e passam a ocupar um papel estratégico na tokenização financeira.
* Artigo publicado originalmente na minha coluna do Valor Investe em 07 de maio de 2026
O movimento ainda parece pequeno quando observado apenas pelos números absolutos, mas já é grande o suficiente para revelar uma mudança estrutural acontecendo diante do mercado brasileiro. Hoje existem mais de dez iniciativas de BRL stablecoins em circulação, entre modelos abertos ao varejo e estruturas voltadas para liquidação institucional, segundo o report 10+ BRL Stablecoins, que a Fintrender publicou essa semana.
Número já é relevante mesmo em termos globais. Stablecoins em Euro, por exemplo, ainda somam pouco mais de vinte iniciativas relevantes. O Brasil sozinho já ultrapassou metade disso.
Dinheiro costuma ser o primeiro ativo a migrar para novas infraestruturas financeiras. Foi assim na digitalização bancária, nos meios eletrônicos de pagamento e, agora, está começando a acontecer também com blockchain. Antes de ações tokenizadas, crédito privado on-chain ou fundos distribuídos em DLT, vem a camada monetária. Sempre.
Quem leu meu livro A Tokenização do Dinheiro, ou acompanha minhas análises há mais tempo, provavelmente já me ouviu falar sobre isso. Stablecoins nunca foram realmente um produto cripto. Elas representam, na prática, a transformação do próprio dinheiro em uma camada programável, interoperável e nativamente digital.
O report demonstra exatamente isso. O Brasil já possui um ecossistema relativamente diverso de stablecoins pareadas ao real, distribuídas entre diferentes teses, redes e modelos operacionais. Há emissores focados em varejo cripto, outros em pagamentos internacionais, alguns em integração bancária e vários olhando diretamente para liquidação institucional e tokenização de ativos reais.
Acompanho esse mercado há mais de seis anos. Quando publiquei os primeiros vídeos sobre stablecoins no YouTube, o ambiente institucional, operacional e até regulatório ainda era bastante cinzento. Pouquíssimos players daquela época sobreviveram ao ciclo seguinte.
A maturidade e aceitação que temos hoje é incomparável. A percepção de que stablecoins não são apenas “tokens”, mas infraestrutura necessária para liquidação on-chain, começa a se consolidar. E faz sentido. Sem dinheiro nativamente digital, toda a lógica operacional da tokenização fica mais ineficiente. Liquidação, composabilidade, automação e interoperabilidade passam a depender de camadas externas.
Um outro aspecto que tem mudado para os casos de stablecoins de reais é que hoje já há vários ângulos diferentes do que o de cambio/dolarização que dominou os primeiros anos do seu desenvolvimento.
A lógica era relativamente simples: moedas locais frágeis geram demanda por dólar digital e as stablecoins tinham/tem menos barreiras burocráticas e operacionais (hoje) ao seu acesso. Esse era (e em certa medida ainda é) o caso para stablecoins de dólar no Brasil. Mas o caso da stablecoin de Reais é diferente. Elas não emergem como substituição do real, mas como representação tokenizada dele dentro de uma nova infraestrutura operacional.
Muito se pergunta para que precisaríamos de stablecoins em reais se já temos o PIX. A resposta é relativamente simples: são infraestruturas diferentes. O PIX opera sobre o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro. Stablecoins operam sobre blockchains públicas ou permissionadas. Trilhos diferentes, arquiteturas diferentes e, em muitos casos, objetivos e funções distintos.
Essa discussão desloca o debate da moeda para a infraestrutura, ou trilhos como os técnicos chamam. E não é apenas sobre emissão monetária. É sobre distribuição, settlement, integração com bancos, interoperabilidade, compliance e acesso aos fluxos financeiros que provavelmente serão tokenizados nos próximos anos.
O artigo “Uma stablecoin para chamar de minha”, que escrevi em 2024, toca justamente nesse ponto: stablecoins como ativos estratégicos dentro do sistema financeiro mundial. Não apenas instrumentos de pagamento, mas peças centrais de infraestrutura.
E o Brasil parece particularmente bem posicionado para isso.
PIX, banking APIs, regulação relativamente sofisticada e uma comunidade cripto ativa criaram um ambiente raro onde infraestrutura tradicional e infraestrutura blockchain começam, aos poucos, a convergir. Talvez por isso o ecossistema local esteja ganhando densidade mais rápido do que muitos imaginavam.
Transfero, Braza, Núclea, Liqi, MB, SmartPay, Celo, AmFi, Avenia e outros players já operam com abordagens bastante diferentes entre si. Em vez de um mercado concentrado em um único emissor dominante, o que começa a surgir é um ecossistema mais distribuído, com múltiplas teses convivendo simultaneamente.
Isso normalmente é sinal de que a infraestrutura encontrou um problema real para resolver.
O DREX, de certa forma, ajudou muito a amadurecer essa discussão. Ao longo do processo, ficou claro que talvez a digitalização monetária brasileira não dependesse necessariamente de uma CBDC plenamente operacional. O setor privado acelerou o movimento por conta própria.
As stablecoins de real ainda estão no começo. Mas o mercado brasileiro já parece ter entendido algo importante: a tokenização da economia brasileira dificilmente acontecerá sem uma camada monetária nativamente on-chain. E, nesse contexto, BRL stablecoins deixam de ser apenas um produto cripto para se tornar parte da própria infraestrutura financeira digital do país.
Seguimos aprendendo e ensinando
Abraços,
Gustavo Cunha
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