☑️ Se Ninguém Paga, Não Vale Nada? 🤔
Uma reflexão direta sobre dinheiro, propósito e o desafio de valorizar o que não tem preço.
* Artigo publicado originalmente na minha coluna do Valor Investe em 17 de julho de 2025
E se o dinheiro deixasse de existir amanhã? O que sobraria do que você faz, consome, valoriza? Seria possível continuar tocando a vida normalmente ou tudo colapsaria em silêncio?
O dinheiro é esse denominador comum. Ele coloca valor em tudo. É o que todos querem sempre mais. O que relativiza e também o que padroniza. Há muitas definições informais sobre o que ele é e quais funções cumpre. Mas a pergunta que me vem à cabeça — e que compartilho aqui — é outra: será que deveríamos dar tanta importância a ele?
Logo que comecei a investir em fintechs, fui apresentado a uma iniciativa que nunca saiu da minha cabeça. Uma empreendedora estava construindo um sistema de trocas baseado não em dinheiro, mas em tempo. A ideia era que uma hora de consultoria financeira, por exemplo, pudesse ser trocada por uma hora do trabalho de um pedreiro ou por alguém que instalasse um eletrodoméstico na sua casa.
Confesso que, de início, achei a ideia bem esquisita. Não investi. Não sei qual foi o destino do projeto, mas imagino que não tenha ido muito longe. E entendo o porquê. Nem todas as horas têm o mesmo valor de mercado. Coloca o mesmo preço em todas as atividades e serviços soa bonito, mas não se sustenta economicamente. Uma hora minha vale o mesmo que uma hora de qualquer outra pessoa, com habilidades totalmente distintas e em setores com níveis diferentes de escassez? 🤔 isso não parece funcionar na prática.
O caminho natural seria criar um “mercado de horas”. Algo como: 1 hora de consultoria financeira equivale a 3 horas de serviço manual, por exemplo. Mas aí já estaríamos criando uma lógica de conversão. E pronto — voltamos à ideia de dinheiro. Só que, dessa vez, representado por horas.
Outra camada complexa dessa discussão está nas decisões que tomamos com base no dinheiro. Quantas pessoas você conhece que estão presas em trabalhos que não gostam, apenas para garantir um salário no fim do mês? E mais: quantas de suas despesas fixas representam de fato o que elas querem da vida? Será que elas pensam nisso ou somente vão levando a vida? Ou deixando a vida os levarem?
Será que quanto mais dinheiro temos, mais felizes somos? Os estudos mais longos de Harvard indicam que não. A felicidade está mais ligada ao convívio humano e ao conforto social do que ao dinheiro em si — e, certamente, menos ainda à quantidade dele.
Por outro lado, existe um pensamento quase automático: “se não dá dinheiro, é perda de tempo”. Se ninguém paga por algo, então não vale nada? A lógica faz sentido do ponto de vista de mercado. O dinheiro é, sim, uma maneira objetiva de atribuir valor às coisas. Mas será que é a única?
Não me parece. Mas a partir do momento em que abrimos esse leque, entram em cena outras métricas: realização pessoal, impacto, construção de reputação, contribuição social, prazer, ego, aceitação... E aí a coisa se complica.
Posso estar fazendo algo que não me traz retorno financeiro direto, mas que me conecta com pessoas, estimula boas conversas, amplia minha rede. Este artigo, por exemplo, pode ser um caso disso. Estou escrevendo, não porque vai me render algo financeiramente, mas porque escrever me ajuda a acessar outras pessoas, encontrar outras perspectivas e sedimentar alguns pontos importantes nessa trajetória.
Ainda assim, fico com a pulga atrás da orelha: será que tudo isso não volta ao dinheiro, mesmo que indiretamente? Ou seja, será que eu não faço essas conexões na esperança de que, lá na frente, elas gerem algo que possa ser monetizado?
Temos prazer em fazer algo que beneficie os outros sem que isso gere retorno financeiro? Talvez devêssemos. Mas será que conseguimos? E quem consegue — por quanto tempo aguenta?
Sempre admirei professores. São, na maioria das vezes, pessoas que escolheram um caminho com outras métricas de valor. Fala-se muito que ser professor é quase fazer um “voto de pobreza”. E é verdade que ganham pouco, têm vidas apertadas e acesso limitado ao conforto que o dinheiro proporciona.
Mas será que são mais felizes do que aquele colega que largou tudo, empreendeu e hoje tem patrimônio, viagens e liberdade? É difícil dizer. Porque não estamos falando só de dinheiro. Estamos falando de sentido. De satisfação. De propósito.
Eu mesmo enfrento esse dilema com frequência. Tenho dificuldade em manter por muito tempo projetos que não têm viabilidade financeira clara. Gosto de ver o esforço sendo valorizado — e o dinheiro costuma ser o principal indicativo disso. Se ninguém paga por algo, eu tendo a concluir que não tem valor. E não falo aqui de falta de acesso ou poder aquisitivo. Falo de percepção mesmo: a de que “isso não vale”.
E, ao mesmo tempo, sou usuário diário de conteúdo gratuito. Acompanho influenciadores, sites, artigos, entrevistas... e não pago nada por isso. Talvez não pagaria nem se me pedissem.
Como escrevi em outro texto, num mundo de abundância, o que tem valor é a comunidade — não o conteúdo em si. Mas aí surge a grande pergunta: como capturar esse valor se não for pelo dinheiro? Existe outra forma de mensurar isso?
Encaminhando para o fim, vejo que essa reflexão é menos sobre o dinheiro em si e mais sobre nossa relação com ele. É sobre como dar valor às coisas que fazemos quando o retorno financeiro não está presente. Somos capazes de fazer isso? Talvez essa dificuldade minha venha do modo como fui criado, ou talvez da mentalidade pragmática que desenvolvi no universo do trading, apostas, cripto.
Ou pode ser só a forma matemática pela qual eu vejo o mundo. Difícil concluir. Mas, ainda assim, sinto que escrever isso me ajudou a organizar melhor a questão.
E te pergunto: o que você faz — ou deixa de fazer — só porque não tem um preço atrelado? Será mesmo que o valor das coisas precisa sempre passar pelo dinheiro?
Abraços,
Gustavo Cunha
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